Sempre leio um bom escrito minutos antes de começar um meu, dessa vez é de cabelos presos displicentemente no alto da nuca e com uma boa dose de fantasia que começo a narrar tudo ao meu redor. Não estou em casa, mas me sinto mais daqui do de qualquer outro lugar que ainda posso entrar. O som é suave, suavemente nostálgico, mas de uma nostalgia tão batida que já deixou de ser e nem ao menos faz lacrimejar. Um som perturbador soa de tempos em tempos, a solução é fácil, tirar o som do computador, mas isso acabaria também com a melodia que entoa o saudosismo que tanto trago à tona; então deixo o sonzinho me irritando mesmo. Sinto uma felicidade instantânea, quase que pueril. Sensação de completude, que daria um ótimo neologismo se fosse de fato neo, na verdade não sei, mas sinto de maneira tão genuína que não me dou nem o trabalho de procurar.
Acabamos de assistir a um filme que conta a historia de um garoto que perde a visão depois de um acidente e, por conta disso, tem que ser transferido para um colégio para deficientes visuais. Pra mim, a beleza do filme está na sensibilidade com que são tratadas as cenas, na sutileza dos diálogos.
Me peguei fechando os olhos a certa altura do filme, involuntariamente, mas provavelmente querendo me aproximar às sensações do protagonista. Foi quando percebi e me lembrei que é justamente "olhando de olhos fechados" para uma luz intensa que enxergamos um vermelho latente, um vermelho que só se vê olhando pra cima num dia ensolarado, um vermelho como o céu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário