A vida toma sentindo quando o inesperado vem ao seu encontro.
Era dia de primavera, o calor e o incômodo com
um indesejável membro da família, levaram-me à piscina.
Levei meu jornal mensal e ávida, abri na matéria "Elogio às Revoluções" com a
ilustração da "La Liberté guidant le peuple", do Delacroix.
Era tanta luz que meus olhos já não podiam mais ver, as lágrimas caiam como num esforço de fechá-los, mas cada frase tinha de ser lida.
Desisti.
Não podia lutar contra aquela claridade e nem buscar o óculos em casa.
Deixei o jornal de lado e pensei na vida, nos meus dias de sacrifício naquele antro de selvagens.
Pensei em desistir de um sonho e admitir que ele não é meu.
Quão triste seria perdê-lo por uma incapacidade mental , por mais clichê que pareça.
Uma borboleta pairou sobre a ilustração.
Soltei um riso epifânico.
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