Talvez fosse realmente a hora de expressar em palavras
esta saudade.
O cair da noite e o costume de te ver chegar da varanda.
Os passos ávidos por sobre os degraus da escada para abrir o portão.
E o beijo de saudação que por algum charme bobo, estalava nas bochechas,
e fazia-se ecoar em tantos outros lugares.
Era como encenar um romance opulento de amores. Até as cadeiras de
plástico obsoletas emendavam o contexto com perfeita sincronia.
O diálogo apenas servia para consolidar alguma relação irônica, pois os desejos
ditavam os gestos que quase inconscientes nos levavam à lugares excêntricos.
Eram os sonetos de Camões à transcêdencia, ou ao indescritível.
Prefiro levar esse verso à seu conjunto de estrofes e recitar ao seu lado, pois
que não se daria a entendê-lo sem o motivo de sua criação.
Depois de uma miríade de sonetos e alexandrinos, aqueles desejos eram dispersados.
Talvez um sentimento estivesse sendo composto ali, tal que, somente ali.
Seu silêncio era tarefa de excelente ourives.
Entretanto, lembro-me daquele episódio, talvez, o mais luzente.
Chegara a hora de partida, os desejos solidificavam-se a cada beijo, e num folêgo
tomado a muito custo, atendi às palavras mais sinceras.
As lágrimas se esvairam em contenção, um sorriso trêmulo, um olhar tímido.
A pergunta. E a resposta era a confirmação de um compromisso utópico.
Uma tal sinestesia dominva todo e qualquer espaço em que
econtrávamos juntos. E não haveria explicação que conseguisse
transpor essa felicidade limitada pela vaidade através de palavras.
Novamente, estou nas cadeiras de plástico esperando contemplar a beleza do
sol brotando do horizonte nas espelhadas águas marítimas.
Dessa vez, perderam-se os sonetos, ou estão sendo recitados por outros poetas.
Mas que se façam deles a lembrança.
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