7 de fev. de 2008

Veraneio

era pra ser só um sítio em que nossas coisas permanecessem a salvo
e nossa convivência continuasse compartilhada
mesmo quando em quilômetros
como se fosse possível...
necessário? tampouco

o caso é que raramente no contato das minhas mãos em dúvida com cachos sutilmente dourados vem a tona um sentimento que nem ao menos precisava ser confirmado para existir de fato apenas está ali, sem nenhuma pretensão de ser o mais valioso
embora sempre soubesse que o é

entre risadas entorpecidas no rasgar da noite
e segredos contados em cafés pela cidade
a minha convicção só tende a ser cada vez mais fiel
ora à realidade, ora ao ideal

machucados propositais a fim de imortalizar um compromisso
neste caso, um contrato
da fraqueza de uma maturidade precoce
à lentidão de uma decisão
que já fora tomada mesmo antes de alguém se dar conta
o resultado?
a certeza e a insegurança
por mais paradoxal que possa parecer

e o aviso:
me lembre de sempre contar quando minha vida mudar;
porque a tua, ainda que não queiras,
mudará no mesmo compasso

numa metalinguagem louca,
como uma mão que desenha a outra


M.C. Escher - Drawing Hands, 1948 Lithograph

Um comentário:

Bia Carmo disse...

Há muitas zetéticas nos dois textos, seria bom se as pessoas parassem para ler, iriam ser minutos bem utilizados. Só acho que vocês precisam postar maais =]
Fica ai meu recadoo, aliás o primeiro do blog.
beeijoos =*