Fico à esperar-te no portão,
na plataforma gelada do metrô, no vagão angustiante, na cadeira da sala, em qualquer
corredor.
Volto pra casa com as vestes da festa que não teve; a maquiagem está intacta.
Amanhã? Desisto! Desmorono em meio à "legião de famintos".
Corro sem destino.
O farol está vermelho, o carro está longe. Atravesso.
Faltam trinta minutos. Continuo. O carro está aqui. Atravesso.
O vento frio faz-me dizer baixinho que está frio.
Na cafeteria a garçonete não trouxe o cardápio. Levanto e peço grosseiramente no balcão.
Volto à mesa.
Respiro fundo. Cruzo as mãos. (inconsciente foi o gesto simbólico).
Vejo que esta ansiedade não tem motivo. Procuro pensar que é pelo café, aquele delicioso café de macadâmia.
Não, não é pelo café. Nem por nada.
É a covardia por saber que sou passível àquilo que não se pode mudar ou ter.
Nenhum comentário:
Postar um comentário