A inquietude não me dava sossego.
A incostância é logo vista e ponho-me a este jogo de palavras.
O medo, melhor sintoma que antecede uma despedida, era o agente da covardia.
Das palavras que eu não queria escolher, do raciocínio que eu queria conter.
Entro em um meio de contato e o vejo disponível.
Corro contra o tempo, pois você está indo embora.
Preciso que veja este presente, um pouco atrasado, de fato.
Remexo nossa miríade de relicários e procuro um a escolher.
Finalmente encontro objeto da sua rubrica.
Seguro-o cuidadosamente como um ourives a sua jóia.
A beleza não vem do tamanho, mas da riqueza dos detalhes.
Num observar meticuloso lembro-me da origem dos entalhes que fazem dessa relíquia um mosaico.
Atento ao mais profundo, as lembranças surgem ávidas, as lágrimas escorrem tórridas.
Nesta cena, o cenário são os bancos de um ônibus, os personagens se ruduzem a nós, as falas são as mais belas palavras de um rico vocábulario, escolhidas num ato minucioso.
A necessidade de convencer-me nunca foi necessária, pois a importância daquele sentimento sempre esteve ali.
Nenhuma confissão foi responsável pela importância deste laço, apenas foram motivos secundários que levaram-me a confiar.
No correr das palavras, nas constância dos abraços procurando findar uma despedida, como todas as outras. Desnecessárias.
Volto olhar nossa relíquia, que agora melhor entendida e de maior importância.
Na intenção de guardá-la para ocasiões especiais, escrevo numa tira de papel um verso dessa importância.
Meto o olhar a janela, na inspiração de uma frase a encorajar sua partida.
Procuro o sol sem sucesso de achá-lo.
Ouço alguém afastando a calmaria dessa música latina.
Corro até a outra sala, vejo uma senhora de cabelos prateados tentando sobrepor os castanhos artificiais que teiman em reinar, com as cicatrizes de uma vida expressadas na face da pele.
No ato de ligar a TV, no costume do fazer algo, que agora sem importância.
Na tristeza de não ter mais importância.
Digo à ela para ler um livro e logo desligo a TV.
Sem compromisso com qualquer vontade vejo-a refugiar-se no sofá de todos os dias, abrindo o livro ao lado, como um militante acatando ordens. Na consequência inconsciente da realidade escolhida.
Volto para o que seria o meu refúgio, sem qualquer necessidade de inspiração.
Pois o destino já escreveu algo para encorajar-lhe.
Um comentário:
Katinhaaa. mais uma vezz outro post incrível! beijoss te amoo
Postar um comentário